“eu quero você só para mim…”

Frase que soa legal para o coração dos românticos,  mas se você pensar e escutar isso com atenção mais de uma vez verá que não se trata de coisa boa.

Primeiro de tudo, acho importante ressaltar que isso não cabe só a relacionamentos amorosos dos tempos do colegial.Essa idéia atravessa muitas relações, que pode ser até aquela que você tem com a mocinha que te serve o pãozinho de manhã na padaria.

Ela diz do pressuposto, antes de mais nada,  de que existe um eu e um você e que essa relação se resumirá a esse único nós. Porém, como qualquer um pode reparar, as relações (ou a vida) não se sustentam somente assim. Para que aja esse eu e esse você, e mesmo as idéias que existem sobre eles mesmos, tem que haver outros, e nesse outros entram um tudo, ou vários, se preferir.  Portanto, a partir dai podemos ver as complicações…

O que eu estou falando aqui, caso alguém já pense de primeira: ” é de ciúmes, é de ciúmes… !!!”. Não é de ciúmes! O papo aqui é de não enxergar que existe coletivo e que ele é bom até mesmo para aquele nosso nós que estamos reivindicando.  É pensar que para continuar com algo não é necessário delimitar um círculo invisível entorno daquilo.

O que eu falo aqui tem a ver com os vocês; com o capitalismo, que transpõem suas relações de mercadoria e posse para as pessoas; com as oportunidades de fazer junto; e com, (muito importante esse aqui, ó), ter a vontade de encarrar as coisas olhando que para conseguir não necessariamente tem que se fazer igual, mas que é possível tentar o diferente.

Portanto, quando você chegar na padaria e aquela senhora passar na frente e não deixar a Mariazinha que sempre te atendeu, te atender, lembre que ela não é a sua atendente.  E que aquele cara que você sai todo dia não é seu  amigo. A pessoa que você gosta pra caramba e abraça com vontade não é seu namorado… e assim por diante.

É importante pensar que para perder o seu/sua/meu/minha em frente de qualquer palavra, não significa se importar menos ou deixar de ser monogâmico, se você faz questão disso. Perder esses pronomes é tentar fazer diferente e criar novas formas de relação;  e lembrar que, ainda bem, não somos só eu e você de mãos dadas nesse mundo!

 

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Sobre pedacodebolo

Muitas inspirações e poucas expirações...
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